The Speech (2017 - 2026)
No centro da sala, um microfone balança para a frente e para trás — ou será um altifalante? Ele fala. The floor is yours, someone says. Thank you, someone says, for the privilege of speaking. We’ll have glorious floors, yes nothing is beyond our reach. [O palco é teu, diz alguém. Obrigado, diz alguém, pelo privilégio de falar. Teremos palcos gloriosos, sim, nada está para além do nosso alcance.] O texto do poema de Barnas é uma reação a um discurso de Donald Trump em 2017, cujo ritmo e cadência permaneceram com ela. O que tornou aquelas palavras tão marcantes? Para seu desagrado, Barnas constatou que o redator do discurso utiliza técnicas poéticas, tão familiares para ela, para reforçar a sua mensagem. Ao substituir a palavra “futuro” por “palco”, ela procurou inicialmente expor a qualidade abstrata, quase vazia, da retórica. No entanto, essa substituição também produz outra coisa: um convite à fala.
Tal como Barnas, Espinosa preocupava-se profundamente com as condições da expressão individual e da liberdade de expressão — preocupação que ressoa ao longo de toda a exposição, incluindo em trabalhos como >>A thousand windows<< to >>The world of the Insane<< de Anri Sala, na parede contígua. The Speech enfatiza o nosso poder de falar, mas ao mesmo tempo encerra uma inquietação. Valores considerados radicais no tempo de Espinosa e mais tarde tidos como garantidos — a liberdade de expressão, da existência e identidade individuais, e de religião — voltam a estar sob pressão. Quase dez anos após a sua criação original, The Speech ganha uma nova urgência, surgindo Trump como uma das figuras mais visíveis de uma paisagem política cada vez mais despótica.
O microfone eleva-se ao nível da boca, como que aguardando uma resposta. Uma vez mais, a voz insiste: nothing is beyond our reach [nada está para além do nosso alcance]. Ficamos ali, a pensar numa resposta. Seremos capazes? Poetas e políticos podem recorrer às mesmas ferramentas retóricas — mas as nossas mensagens podem ainda não conseguir chegar uns aos outros. Falamos incessantemente, através de inúmeras plataformas. Mas continuaremos em diálogo, ou estamos apenas a lançar palavras para o vazio?